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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Will & Will: uma história que vale a pena.

Livros. Minha paixão, minha forma de desconexão com esta realidade que às vezes sufoca.
Sou bem daqueles que não podem, de forma alguma, ir a uma livraria. Porque invariavelmente vai sair de lá com um, dois, três livros. E em tempos de planos futuros, casa, morar só, é necessário ter um pouco de controle nos gastos ( o que sempre acabo perdendo quando entro na livraria).

Ás vezes, saio do trabalho no sábado à tarde e quando penso que terei que voltar pra casa, para fazer NADA, resolvo caminhar da Estação Ana Rosa do metrô até a Avenida Paulista. Caminhar me ajudar a pensar, a divagar...e nesta caminhada invariavelmente acabo pelas livrarias da Avenida mais charmosa (ou mais famosa) do Brasil. Em uma destas caminhadas, parei na livraria, e me deparei com um livro de capa bonita e história que parecia bonita também.
Um curiosidade sobre mim: às vezes, leio o livro pela capa. Nem sempre me dou bem, mas em outras vezes a capa, aliada a resenha do livro na orelha, o estilo da escrita, etc, me fazem cair de amores por ele e não sou decepcionado. Foi o que aconteceu com Will & Will, do John Green e David Levithan.

Na sinopse, diz que "Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra... Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome. E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções. O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio."

Achei o livro tocante por falar de aceitação, amizade, amor, respeito, descobertas. E algumas partes da história realmente nos levam (ou pelo menos me levaram) a pensar sobre tantas coisas da minha própria vida...
Um dos trechos do livro que eu achei lindo, lindo e até publiquei através de uma foto do Instagram traduz bem o que penso sobre amor e sexo... Os curiosos podem ler aqui http://instagram.com/p/e_eTXLilNl/
Bom, acredito que vale a leitura. Quem tiver interesse e depois quiser me dizer o que achou, vou gostar de partilhar esta história com alguém.

Abraços!

P.S. Como o link não funcionou, segue a imagem do trecho do livro:


domingo, 17 de fevereiro de 2013

Livro: Águas Turvas


"A vida trafega em alta velocidade através de fibras óticas, mas poucos tem a sorte de encontrar a alma do outro." CALDEIRA, Helder. Águas Turvas.

Vi o nosso amigo Edilson, do Lua dos Gatos, comentando outro dia no Face sobre um livro que ele queria ler, e que iria adquirir. O comentário foi efetuado na página do autor no Face.
Curioso, fui ver de quem se tratava, e sobre o que falava o livro. E me interessei pela história da família Thompson, particularmente pela história de Gabriel e Justin. Num rompante, acabei comprando o livro.
Devorei aquela história. Chorei muito, vibrei com os momentos de felicidade. E achei o livro encantador.


Dramas reais de uma família americana, de classe média alta, que comprova que na vida nem tudo são flores.
As reflexões, as músicas citadas no livro que nos fazem entrar, participar, estar presente nas cenas descritas trazem um diferencial a história. Não é uma história sobre um casal gay, onde o esperma escorre pelas páginas por causa das inúmeras cenas de sexo. As situações vividas são mais reais.
É complicado para mim falar sobre o livro, pois corro o risco de falar demais, soltar pistas sobre a história e não é o que quero.
O que desejo é falar que li, gostei muito, parabenizei o autor pelo livro e este é um dos livros que no futuro eu leria novamente. Quem puder conferir...vai gostar.
Forte abraço!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Minha vida de Leitor. (Memê Literário)

O Fofo do Rô Fers me indicou para participar deste Memê Literário! E adorei a sugestão! Então, lá vamos nós:

1 - Existe um livro que relerias várias vezes?

Pergunta MUITO difícil pra mim...são tantos que eu leria várias vezes... que não consigo indicar só um.

2 - Existe algum livro que começou a ler, parou, recomeçou, tentou e tentou e nunca conseguiu ler até ao fim?
O Mundo de Sofia.

3 - Se escolhesse um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Existem muitos livros bons para eu escolher apenas um para ler o resto da minha vida...

4 - Que livro gostaria de ter lido, mas que, por algum motivo, nunca leste?
Todos de Clarice Lispector. Ainda não tive maturidade suficiente para ler um ao menos. Até tento, mas não consigo.

5 - Que livro leste cuja «cena final» jamais conseguiste esquecer?
Todos os de Agatha Christie que li tiveram finais surpreendentes para mim. E inesquecíveis.

6 - Tinha o hábito de ler quando era criança? Se lia, qual o tipo de leitura?
Revistas em Quadrinho da Turma da Mônica!

7 - Qual o livro que achaste chato, mas ainda assim leste até ao fim? Por quê?
Quando o livro é chato, não faço cerimônia: paro de ler, simplesmente.

8 - Indica alguns dos teus livros preferidos.
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Saramago
Depois daquela viagem, Valéria Polizzi
A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro


9 - Que livros estás a ler?
Leio "A Rainha do Castelo de Ar", Série Millennium, de Stieg Larsson.

10 – Agora nomear 10 pessoas.

Adoraria indicar vários leitores para também fazerem este Memê, mas nem sempre eles fazem...então deixo livre para quem me segue participar, e se quiser, indicar 10 amigos para o fazerem! Então, é isso...abração a todos os meus leitores amigos.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O caderno de David


"Tenho um coração colorido.
Que me perdoem os que vivem
num mundo preto e branco"
Daniel Caldeira

Recentemente terminei de ler o livro "O caderno de David", do autor paulistano Daniel Caldeira. O livro em questão fala sobre a relação de um jovem que aos 23 anos morre devido a um cancer e deixa para o seu grande amor um caderno com anotações do período em que se relacionaram. Na verdade, o livro trata de muitos assuntos que giram ao redor deste caderno e do namorado de David, Léo, um cara com pouco mais de 30 anos que tem que lidar com a própria aceitação como gay e também da cidade, da família, dos filhos.
O livro na verdade trata de muitos outros assuntos além de aceitação. Fala de violência, de amor, ódio, perdão, traição, gravidez, filhos entre casais homossexuais, intolerância, HIV, compreensão, morte. Enfim, a obra é bastante abrangente.
Na verdade, como opinião pessoal, acho que o autor abordou temas demais para um livro apenas. Tudo bem que no decorrer da trama isso acaba prendendo o leitor ás páginas. Mas são tantas surpresas, e tantos assuntos que o livro acaba ficando surreal. Acho que o autor poderia abordar parte destes temas em uma outra obra. Com certeza, faria sucesso como acho que o livro de estréia de sua carreira está fazendo.
Mas é uma obra que vale muito a pena ser lida. Confesso que enquanto descobria a história de Léo e tudo o que aconteceu com sua família e amigos, a única pessoa de quem me lembrei muito foi minha mãe.
Estou pensando seriamente em enviar um livro para minha mãe. Já que nunca conversei com ela diretamente sobre minha orientação, acho que livro ajudaria ela a entender e aceitar melhor. Preciso aproveitar que a mesma está de férias e lendo tudo o que aparece pela frente.
Mas ainda é uma idéia a ser pensada.
No entanto, fica a indicação do livro. Quem puder adquirir e conhecer melhor a história de David e Léo, eu recomendo!

Sobre a obra:

Aos 23 anos, David morre vítima de um câncer. Deixa aos cuidados da mãe um caderno, com o intuito de ajudar o companheiro a aceitar sua sexualidade. Nele, há pensamentos que discorre assuntos como homossexualismo, família, religiosidade e amor ao próximo. Léo ao perder o companheiro, sente-se frágil. É descoberto pela família e humilhado em praça pública. Sai da cidade, deixando filhos e emprego. Um ano após, um grupo de jornalistas descobre uma poesia escrita por ele, destinada a David. Imediatamente pede para que ele retorne. Enfrentando a revolta da família, Léo é desafiado a escrever sua própria história. Mas para isso será preciso enfrentar seus próprios preconceitos.

Sobre o autor:

Nascido em 1984, na Cidade de São Bernardo do Campo, SP, Daniel Sebastian Caldeira desde muito pequeno, sempre fora apaixonado pelas letras. Graduado em Química e Pós Graduado em Biotecnologia, o escritor nunca deixou sua paixão pelas histórias, transmitindo de forma clara e objetiva, sensações e sentimentos que aparecem em nossas vidas.

Quem tiver interesse em comprar O caderno de David, basta clicar.

A todos, um grande abraço e até a próxima postagem!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mais uma vez

Tenho procurado nos livros a companhia que me falta em São Paulo. Os livros nunca me desamparam, posso contar com eles e ver muito de mim nas palavras que leio cotidianamente.
Minhas visitas a biblioteca estão cada vez mais constantes. E nessas indas e vindas, encontro algumas obras que realmente valem muito a pena ler.
Numa dessas idas a biblioteca, me deparei com um livro com uma capa rosa choque, de um autor que nunca ouvi falar... Geralmente, leio as críticas que jornais fizeram ao livro quando este foi lançado, e é o que na maiora das vezes me faz ler o livro.
Enfim, o nome do livro é Mais Uma Vez, de Tony Parsons. Comecei a ler mais pela capa e pelas recomendações da crítica. Achei muito lindinha. E a cor rosa choque, então... Tudo a ver. rs
Mas a história do livro, que fala de um homem em busca do amor, do conceito de família, amizade, ralmente mexe com o leitor.
Fazia tempo que não lia um livro onde as emoções afloram facilmente. Você, ri, chora, sente raiva, pena, tudo na medida em que vai conhecendo a história de Alfie, da sua família, sua história de amor, sua profissão, suas relações de amizade, seus sonhos não realizados, ou que foram realizados, mas acabaram, deixando apenas as lembranças.
Sensível e forte, é como posso definir esse livro. Com certeza, quem aceitar a dica e procurar este livro, não vai conseguir parar de ler. A vontade de participar da vida deste homem, da sua busca pelo amor, ou ainda de desfrutar das tiradas cômicas de Joyce, ou do amor que todo neto espera(ou tem!!!) de sua avó vai prender o leitor até o fim. Vale muito a pena! Recomendo!

sábado, 24 de julho de 2010

A beleza e a amizade.

"Acho que as melhores pessoas não são as incrivelmente lindas". Lucas Torquette.

Este post começa com uma frase de um amigo que eu adoro, que também é escritor de um dos blogs que tenho como preferido. Partilhava com ele algo que me aconteceu na noite de hoje. Durante a semana, encontrei virtualmente um rapaz da empresa que trabalho, e entrei em contato com ele, consegui seu msn e depois disso conversamos na empresa. Nada demais. Um rapaz bonito, simpático. Gostei dele desde que o vi. Ainda nessa semana, minha amiga que mora comigo mandou uma mensagem SMS pra mim falando que conheceu um garoto na empresa dela e que falou de mim pra ele. Na mensagem ela mandava o número do garoto e seu orkut.
O dito garoto que minha amiga conheceu mandou seu msn pra mim via orkut. Adicionei e começamos um papo...nada demais. Cumprimentos, questionamentos sobre seu estado de espírito no momento...e o garoto começou a emudecer. Demorava para responder...depois alegou estar no telefone. Por fim, quando retornou, me pediu desculpas e disse que tinha acabado de voltar com o ex-namorado. Que haviam brigado, mas que fizeram as pazes. Só que "eu nasci, a 25 anos atrás", parafraseando Raul Seixas, meu conterrâneo.
Joguei logo a merda no ventilador: assumi uma posição confiante, e falei com ele que poderia se abrir, sem problema. Que eu sabia que ele não havia gostado de mim fisicamente. Ou seja, não havia me achado bonito. Lancei essa frase pra ele porque o cara do nada me veio com essa história de ex, e a forma como falava dava a entender que estava encerrando a conversa, que não queria mais papo. Por fim, ele confessou que mentiu, não havia namorado algum e que eu não era "bom, bom, mas tava bom" (ou seja, se não tiver nada melhor, eu até posso servir?) Exatamente assim. Depois disse que não gostou, e pediu desculpas.
Aproveitei a deixa, e questionei o outro carinha, que também estava no MSN. O da empresa. Ele disse que não rolava entre a gente. Antes que vocês meus leitores pensem que é paranóia minha, perguntei a ele também porque depois que me conheceu, o menino mal diz um boa noite no MSN. Quando diz...
A questão é: beleza é fundamental? Eu sei, existem pessoas e pessoas. E gosto não se discute. Há quem prefira os negros, há quem prefira os brancos, há quem goste dos peludos ou ainda dos lisinhos. Cada um tem tesão pelo que lhe apraz. Isso é fato.
No entanto, beleza é fundamental também para criar laços de amizade? Para conhecer uma pessoa melhor, ver o que ela tem de bom?
Percebo que neste ambiente onde vos escrevo, as amizades nascem baseadas no que o ser humano tem de melhor(segundo o meu modo de vista),
que são as palavras que habitam o seu corpo. Ver gente bonita é maravilhoso, claro. Se a pessoa for bonita por dentro e por fora poderíamos considerá-lo quase perfeito. Mas existem tantas pessoas que por fora não "damos um conto", mas quando esta pessoa abre a boca, é um ser simplesmente apaixonante. Onde ser "bonito" ou "feio" é um mero detalhe. A companhia da pessoa é algo inestimável.
Eu particularmente quero encontrar alguém que seja bonito por dentro, que me encante além do físico, porque um dia tudo vai cair, mas o que o ser humano tem dentro de si dificilmente cairá também. Vinícius de Moraes disse certa vez: "As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental". Eu discordo dele. Não acho que beleza seja fundamental. Beleza nas palavras, nos atos, no caráter é muito mais encantador que a beleza física, os músculos, o corpo sarado, o rosto milimetricamente perfeito. Eu não quero uma beleza física perfeita do meu lado. Dá muito mais trabalho do que uma pessoa encantadora interiormente. Aliás, beleza física é algo que nem se discute, uma vez que gosto varia. Mas acho que uma chance a amizade, independente de beleza, mas principalmente pelo que a pessoa é, deveria ser algo intrínseco, inerente a todo ser humano. No entanto existem as "amizades" por interesse, dos mais variados. As minhas são baseadas nas belezas interiores, nas palavras, no que cada um tem de melhor dentro de si e que me faz respeitar o que ele tem de "pior".
Para finalizar, coloco aqui um trecho de um livro de Rubem Alves em que ele fala sobre Política, mas o trecho é tão maravilhoso, que nem parece falar de assunto tão...tão...não tenho palavras.

"...está dito lá nos textos sagrados que no início de todas as coisas está o Verbo, e que o nosso corpo é nada menos que um Poema que se fez carne. Somos as palavras que moram dentro de nós. E a gente ama aquela pessoa que tem o poder de acordar as palavras bonitas, desaprendidas, como na estória da Bela Adormecida, e que moram nalgum canto escuro, esquecido, do nosso corpo... Bem que diz a Adélia Prado que 'erótica é a alma'. Acreditem ou não: o corpo é uma carne possuída pelas palavras que moram nele. E não adianta o rosto ser bonito se as palavras que moram lá dentro são feias. Como aquela estória da princezinha enfeitiçada por uma bruxa má, tão linda por fora, bastava abrir a boca e falar, para dela saírem sapos e cobras. Não havia quem lhe fizesse companhia. Pode parecer estranho, mas é a verdade: a beleza mora é nas palavras".

Enfim, meus amigos. Esse é apenas mais um devanneio meu. Abraço especial em cada um de vocês. Ah, e antes de terminar, quero convidar a todos para visitarem a Bienal do Livro de São Paulo, que acontece neste mês de agosto. A data está no Selo Oficial que peguei no site da Bienal. Abração!

domingo, 20 de junho de 2010

Luto!

"Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo" José Saramago

Ler para mim sempre foi uma paixão. Em determinado momento da minha vida, deixei que convicções religiosas dominassem o meu gosto pela leitura, onde evitei alguns livros porque a Igreja denominava-os de impróprios para os cristãos.
Isso perdurou até a minha entrada na Universidade, num ambiente onde não há espaço para ter preconceitos, seja ele qual for, devido a grande variedade de crenças, de pessoas, de situações, de manifestações culturais.
Graças a esse desprendimento de regras religiosas que por pouco não me privaram de ler obras maravilhosas da literatura é que num determinado dia, passeando pela biblioteca da Universidade procurando aleatoriamente um livro para ler, encontrei O Evangelho Segundo Jesus Cristo.
Pelo título, já que remetia a religião, me interessei e resolvi ler o livro.
Meus amigos, foi paixão na primeira leitura. O livro em questão, para quem não leu, é a história de Jesus narrada por ele mesmo. Um Jesus humanizado ao extremo, uma história fantástica e ao mesmo tempo realista, uma escrita que eu nunca havia visto na minha curta existência, algo estranho, sem pontuação, direta, sarcástica, irônica. Enfim, acabei o livro maravilhado e corri em busca de outros livros do autor para conferir se eram iguais a este.
Tive a oportunidade de ler o Ensaio sobre a cegueira, que é igualmente maravilhoso. E minha admiração pelo autor marcou minha vida desde o primeiro livro até o seu último, Caim, que também mexe com religião, uma forma do autor que era ateu de criticar aquilo que não acreditava.
Foi com uma imensa tristeza que confirmei a notícia que uma amiga havia me dado informalmente: José Saramago morreu.
Um gênio da literatura portuguesa e mundial, que escreveu livros maravilhosos e sempre criou polêmica, quando por exemplo deixou seu país de origem, Portugal, para morar numa ilha na Espanha, porque o Governo Português proibiu que seu livro, O Evangelho Segundo Jesus Cristo fosse comercializado no seu país de origem onde a religião é predominantemente católica.
Com certeza o mundo perdeu um grande homem, mas as suas obras ficarão para a eternidade.
A todos, meu abraço!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Salvo pelos livros...

Eu imaginava que fosse percorrer grandes distâncias em São Paulo. Só não esperava que fossem tão proveitosas.
Nas indas e vindas do trabalho, comecei a perceber como as pessoas fazem aqui para percorrer suas grandes distâncias: sentam-se no ônibus e a primeira coisa que puxam das bolsas/muchilas são seus ipods, mp3, celulares e ouvem música e cochilam o caminho inteiro até em casa. Eu não tenho vocação pra cochilar em ônibus, a não ser que esteja morrendo de sono mesmo, literamente.
Outra opção, para quem gosta de fato, é abrir um livro e perder-se no tempo até chegar próximo de casa. No início sofri com isso, porque só trouxe comigo um livro da Bahia que demorei um tempo considerável pra ler, depois amigos me emprestaram alguns que eu simplesmente devorei. Passei alguns dias tendo que percorrer o caminho de ida e volta olhando a paisagem, vendo o mundo ao redor.
Mas, tive a brilhante idéia de conhecer a Biblioteca de São Paulo, que fica no Parque da Juventude, no Carandiru, e a partir de então, meus dias tem sido mais felizes.
Entro no ônibus e esqueço do mundo lá fora, com livros cada vez mais grossos. Livro pra mim quanto mais grosso melhor...fico literalmente encantado, a depender do seu conteúdo. E aí leio sem a menor dificuldade, e com imenso prazer. E até eu ler todos os que vi lá e que fiquei muito interessado, acho que terei livros pra ler até o fim do ano.
Mas não tenho dedicado meu tempo somente a leitura e a internet. Estive na Virada Cultural de São Paulo e fiquei maravilhado com todo o movimento no centro da cidade em plena madrugada de sábado para domingo. Pude ver shows de Armadinho, Supla, Titãs, Wanderléa (que fui assistir pra lembrar da minha mãe, que a adora.) Teve alguns que vi e nem sei quem eram. Sem contar no espaço onde rolou música eletrônica onde eu e minha amiga passamos maior parte do tempo.
O próximo evento que vamos participar é a Parada Gay. Vamos ver de perto este ano.
No mais, meus amigos leitores, minha vida tem sido isso. Livros para distrair a mente, alguns eventos isolados e até hoje, nenhum dos amigos do blog eu conheci ainda...ao menos os que moram aqui em SP... Vamos ver até quando.
Grande abraço para todos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Detesto chiclete.

Em posts anteriores tenho citado frases de uma escritora que eu adoro. Renata Belmonte nasceu em 13/03/1982, em Salvador. É advogada e contista. Estreou em 2002, com a publicação do seu primeiro conto, Em cima da estante de vidro, na revista eletrônica Blocos on Line. Desde então, acumula colaborações em suplementos e jornais literários como Iararana, Província da Bahia, Cronópios e Bestiário. Seu primeiro livro de contos, Femininamente (onde está este conto, Detesto chiclete), ganhou o Prêmio Braskem Cultura e Arte de 2003. Em 2006, publicou O que nao pode ser (onde está o conto que ela diz "Abandonar, ás vezes, é a melhor forma de preservar um amor"), livro vencedor do Projeto de Arte e Cultura Banco Capital.
Renata, que já tive a chance de encontrar duas vezes pessoalmente, abraçar, conversar, e ter os meus livros autografados, além de ótima escritora, é um amor de pessoa, e simplesmente linda, como podemos ver na foto ao lado.
Abaixo, coloquei um dos contos da autora. Gosto dele em especial. Além de ter trechos de músicas que adoro, seu final faz uma alusão ao Natal, então achei super adquado para o momento e eu espero sinceramente que vocês, meus leitores de gosto refinado, apreciem o conto. Me perdoem pelo post ter ficado tão grande, mas creio que valha a pena ler até o fim. Não esquecendo do comentário depois, dizendo o que acharam!

Detesto chiclete

"Detesto chiclete, o gosto acaba rápido e você ainda tem que ficar se preocupando em achar um lugar obscuro para depositá-lo", ele disse com tom de indignação. "Eu gosto de chiclete, porque sou grudenta e sinto prazer em ficar mastigando minhas relações", ela acrescentou, logo depois, num tom de quem recebeu uma indireta e não gostou. O chiclete é a apenas uma das metáforas. Ela sonhava com um sentimento profundo com eterno sabor de novo. Ele a considerava tola por não entender que toda paixão é efêmera por essência.
Paixão tem um problema. Acaba-se.
Qual o sentido, então, de até que a morte nos separe?
Quando foi que ele parou de sentir aquele frio no estômago? No segundo encontro ou no último ano? É muito difícil precisar o momento exato em que as coisas começam a desandar.
Final feliz, o que é isso? Para ela, seriam pequenas viagens a lugares paradisíacos, beijos mentolados, olhos piscando, flores vermelhas, cartão de crédito dourado e dois eu te amo por segundo. ”Por favor, me faça voltar a ficar completamente apaixonada”, ela disse baixinho, quase murmurando. ”Depois a gente conversa, estou morrendo de sono”.
Virou-se para o lado e ela se arrependeu de ter pretendido discutir a relação às três da madrugada.
Sentada na poltrona de estofado azul, ela tremia. O termômetro de rua apontava vinte e cinco graus. Será que ouviria ainda um “eu também”? Por causada da dúvida, tinha febre de trinta e nove. Sempre foi chegada a um drama. Livro de cabeceira :A insustentável leveza do ser. Filme predileto :E o Vento Levou. Quem consegue esquecer do primeiro beijo de Scarlett O´Hara e Rhett? Ele adorava trocar seu cd de Celine Dion pelo dos Raimundos. Ela não se incomodava, achava legal quando ele a chamava de Mulher de Fases. A aeromoça pediu que apertasse seu cinto. Para que segurança, numa situação como aquela? Pouco lhe importava os olhares curiosos dos outros passageiros. Será que eles nunca tinham visto ninguém soluçar? Para nada ia servir aquela água com açúcar. Olhou pela janelinha e descobriu que as nuvens não eram feitas de algodão doce.
Era sagitariana. Antes de ir embora, escreveu no espelho do banheiro dele, um “Eu te amo” vermelho de batom. Ele sorriu, tirou uma folha do bloquinho, movimentou a caneta e lhe disse para só abrir o envelope, no avião. Letras feias de imprensa formavam ADEUS. A primeira lágrima de seus olhos caiu e borrou o S.
Como estava o sexo? Muito bem, obrigado. Tirando às vezes em que ele não estava afim, ela nada tinha do que reclamar. Orgasmo é uma coisa espiritual. Fazia Yoga há três meses.
Não que tivesse absoluta certeza de que era o final. Esse ADEUS seria a forma abrasileirada e sutil do famoso THE END, que aparecia no fim dos filmes? Andavam discutindo, mas não esperava que fosse terminar assim. Qual seria o verdadeiro motivo? O telefonema desaforado, o tubo de pasta que apertou demais ou a discussão pelo cobertor?
Nenhum dos três. Era uma conspiração astrológica. No seu mapa astral, Vênus não passava em Virgem e era por isso que jamais dariam certo. Ele gostava de deixar claro, que não concordava com essas babaquices astrológicas que ela insistia em acreditar. Para ele, racionalizar demais sobre o amor era o mesmo que beijo na boca sem língua, namoro sem paixão e música sem ritmo. Quantas trilhas sonoras um casal pode ter? “You’re just to good to be true, can’t take my eyes off of you”. Esta foi a primeira. “I will survive”, seria a última?
Quando uma mulher não vive uma relação estável, o mundo todo a condena. Ela só queria um estilo de vida simpático, filhos, marido e cachorros numa mesma casa. Vestida em um longo branco e vaporoso, acordaria cheia de sorrisos para fazer o café. Nada disso mais aconteceria? A situação foi ficando clara. A mulher de vermelho devia ter ligado para ele, de novo. Seu sangue latino americano, certamente, ferveu de tesão e ele deve ter esquecido de tudo que viveram juntos. ”Pobre criatura”, pensou ela, quando visualizou a mulher de vermelho, acordando com o olho borrado de rímel e colocando whisky na mamadeira das crianças.
Um cara de verde perguntou se podia sentar ao seu lado. Ela ignorou a pergunta e abaixou o rosto. Ele já esperava não ser bem recebido e resolveu passar por cima da atitude da garota. Abriu a valise, tirou a flauta ,respirou fundo e começou a tocar a musiquinha do comercial de Natal do Bamerindus: ”Quero ver você não chorar, não olhar para trás e nem se arrepender do que faz, quero ver o amor nascer, quando a dor crescer você nem sentir e sorrir...”.
Ela levantou a cabeça, apoiou o queixo na mão esquerda e o fitou. Uma auréola dourada flutuava sobre sua cabeça. "Obrigada", disse oferecendo um gole de sua água com açúcar.
Ele sorriu e respondeu sem pestanejar: Aceita um chiclete?
Isto foi o fim do princípio. She will survive.
THE END

BELMONTE, Renata. Detesto chiclete. In: Femininamente. Salvador: Fundação Casa de Jorge Amado, 2003

P.S. Quero agradecer ao Mauri Bonfill pela indicação ao Katana de Ouro, na categoria Melhor Post. O texto em questão (Antigos Escritos) não é um dos meus melhores, mas se ele o escolheu, só me resta agora agradecer e esperar que seja votado! Mas fico feliz pela indicação. Sinal que tenho leitores fiéis que se identificam com meu jeito louco de ser. Obrigado Mauri, obrigado a todos os leitores e especialmente aos que já votaram lá. Quem quiser passar, e dar uma conferida, acesse: A Katana de Bambu.