quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ser professor.

Este ano eu fui para uma sala de aula pela primeira vez na posição de educador. Confessei anteriormente o meu medo em assumir a minha profissão, agora de direito. Muitos questionamentos, o medo de não conseguir controlar uma classe cheia de adolescentes, de ser um profissional medíocre, enfim, de ser tudo, menos professor.
O ano letivo está no fim e acabo de entrar na semana das avaliações finais, para aqueles alunos que não atingiram a média de pontos da escola durante as IV unidades em que é dividido o ano letivo. Das três turmas onde leciono, vi o alto índice de alunos em duas delas tentando só agora recuperar o que não conseguiram aprender durante todo ano. Falhei? A culpa foi minha? Deles? Do sistema?
Fazendo agora uma avaliação sobre minha posição de professor, vi que consegui superar os meus medos, consegui ser antes de mais nada amigo de meus alunos, mas soube manter o respeito e o controle da turma nos momentos necessários, soube identificar as dificuldades deles, mas agora me questiono se consegui ajudá-los a superar essas dificuldades? Cheguei a conclusão que não tenho muita paciência para sair da escola e ainda trazer trabalho para
casa. Não, não é isso o que quero, perder noites, horas, preparando aulas, atividades, trabalhos, avaliações. Trabalho é trabalho, descanso é descanso. Mas quem está em sala de aula, é inevitável não corrigir trabalhos, não procurar um texto que chame a atenção da turma, não pensar naqueles que não se comprometem com o estudos.
Apesar disso, é gratificante ver alguns alunos que começaram o ano letivo mal, e que cresceram maravilhosamente até o fim do ano.
Mas, também vi alunos que repetem uma mesma série já a 4, 5 anos. E que por mais incrível que pareça, mostram um conhecimento como se tivessem acabado de chegar naquela sala de aula. Presenciei alunos que mal
sabem escrever, na 5ª série do Ensino Fundamental II (o atual 6º ano), alguns que estão acostumados a ter um professor que pensem por eles e dêem a resposta pronta apenas para que copiem no caderno. Estive em contato com indivíduos sem perspectiva de futuro, sem planos, sem sonhos e que quando questionados sobre isso, apenas brincavam, riam. Espero sinceramente que alguma coisa que eu tenha dito em sala de aula, fora dos conteúdos de Língua Portuguesa ou até mesmo dentro dos conteúdos através de textos, músicas, artes, tenha servido para alertá-los do mundo em que vivemos, das dificuldades que passamos estudando, quanto mais sem estudar.
Aluno é criatura vaidosa! Quem não gosta de receber elogios vindos do seu professor? Percebi o efeito devastador que as palavras de um professor tem na vida de um aluno. Quando vi, na primeira avaliação, alunos tirarem notas baixas, estimulei, disse que poderiam sim melhorar, que bastava estudar, se esforçar, participar e essas notas com certeza iriam mudar. E mudou! E qual não foi a alegria destes em ver que tem potencial para conseguir superar suas dificuldades.
Acima questionei se o fato de alguns alunos não conseguirem aprender, mal escreverem estando em uma série avançada para o seu nível de conhecimento, se seria erro do professor, do sistema ou do próprio aluno? Infelizmente, alguns professores estão acostumados a simplesmente avaliar pela nota e não se preocupam com o nível de conhecimento oferecido aos seus alunos nem tampouco se estes estão de fato aprendendo ou não. Importa é chegar no fim do ano letivo e passar estes alunos para a próxima série. E o resultado é aluno repetente já a 5 anos num mesmo nível. Quem perde com isso? O aluno.
O professor precisa ter consciência da importância que tem na vida do aluno. Precisa saber que ele tem o poder de construir e de destruir na vida de uma pessoa. E que cabe a ele grande parte do possível sucesso desta pessoa no futuro.
No entanto, o
sistema educacional também é responsável por parte do sucesso deste aluno no futuro. Mas, de nada adianta o professor ser ótimo e o sistema de ensino também se não há no indivíduo o desejo de aprender, de ser melhor, de ser alguém no futuro, e obter o sucesso, alcançando o que sonhou no período escolar.
Cheguei no fim desta missão. E procurei cumprir o que foi me designado. No entanto, acho que esta não é a área que quero trabalhar, onde quero ficar por livre e espontânea vontade.
E infelizmente, sendo mais clichê do que tudo, a profissão apesar de bela, ainda é extremamente marginalizada, desvalorizada. Espero um dia poder ser professor, mas como hobbie, e por prazer, não para sobreviver. A experiência serviu, aprendi muito. Mas essa é a minha impressão no momento.
Abraços meus queridos leitores.

8 comentários:

  1. Creio que soube, de forma única, retratar o que muitos dos que lecionam passam bimestre a bimestre, bem como o fim do ano. Gosto do seus textos. E deste gostei no momento em que você fala da amizade que se instituiu com os alunos, sem perder o controle da sala.

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  2. Oi, passei pra conhecer seu blog, e desejar bom fim de semana
    bjsss

    aguardo sua visita :)

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  3. Essa é a profição mais linda que existe e lógico a mais importante !
    É base de tudo e tem tão pouco valor...
    Em breve espero estar compartilhando também de minha vida como professor! em breve,meu caro amigo!


    texto novo lá

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  4. Oi meu amigo,
    Seus questionamentos são pertinentes. O sistema é falho. FATO. O sistema prende o professor e o professor muitas vezes se deixa prender pelo sistema e ao mesmo tmepo gosta disso.
    Nos últimos 5 anos eu tenho estado em sala de aula claro que por ser em faculdade a realidade é totalmente diferente, mas vê-se reflexos de um sistema falho nas bases iniciais.É isso. É complicado.
    Abraço e bom fds

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  5. OI...JM...muito interessante seu texto, além de informativo, nos questiona sobre alguns pontos da educação.
    Eu acredito, que qualquer aluno, pode progredir, com pouco, seja vindo pouco por parte do sistema, ou por parte do professor. Acho que todos nós temos capacidade de esforço muito grande e de motivação...basta por em prática. É lógico que tem aquele aluno que tem uma dificuldade maior, mas a dificuldade brotou por negligência dos pais que não estimula o filho a leitura, ao aprendizado.
    Eu penso assim. Acho que se cada um tivesse o hábito contínuo de leitura informal conseguiria sim sobreviver por conta própria mesmo recebendo pouco, do sistema ou de professores não capacitados.
    Quanto aos alunos vaidosos, quando eu estava no 4] período da faculdade, eu recebi um elogio de minha professora de Gestão de Pessoas, pra turma toda, ela parou a aula e fez um elogio tão emocionante pra mim que até hoje arrepio de lembrar...fiquei super envaidecido mesmo.

    Um grande abraçoooOOOooo.

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  6. Oi J.M, tudo bem com vc?
    Esse medo é super natural, o importante é conseguir superá-los.
    No momento em que vc enfranta seus medos, vc aprende a controlá-los e isso vai te dando mais força, mais auto controle diante determinadas situações.
    Então, acho uma das melhores terapias para alguém é escrever, ajuda a colocar pra fora o que ñ consegue falar e fico feliz q goste do meu espaço, rsrs.

    Bjo
    :)

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  7. Eu conhecia o clipe sim e amo ele, só que há tempo que não via.

    Abraço!

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  8. é meu caro, vc escolheu uma profissão bela, porém difícil.

    Meus pais foram professores de primário e só eu sei o que eles passaram com os pestinhas.

    Qdo me formar,´pretendo dar aulas e química só pra ver se vou gostar!

    rsrs

    abraços!

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