segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sobre macarrões e relacionamentos.

Passeando num dos Blogs que adoro ler, o Passageiro do Mundo, encontrei um pensamento do escritor sobre um casal de amigos recente que ele conheceu, o qual ele descreveu como: eles formam um bonito casal, é mais uma prova de que pode existir amor e companheirismo entre dois homens.
Porque essa frase chamou a minha atenção? Parei para pensar, e cheguei a conclusão (triste conclusão) que não conheço nínguem nesta situação, vivendo juntos há anos, e sendo um "modelo", ou uma prova de que realmente pode haver amor, respeito e cumplicidade entre dois homens.
A verdade é que os relacionamentos hoje em dia podem ser classificados como Cup Noodles. Acrescenta-se uma água fervente no início (que na maioria das vezes se resume a sexo) e em três minutos está pronto (geralmente é o tempo que se leva para dizer: Estamos namorando). Só quê, assim como o dito macarrão instântaneo, que é produzido para alimentar rapidamente um esfomeado (agradeço aos japoneses, prováveis inventores desta maravilha), o relacionamento instântaneo na maioria das vezes também tem curta duração.
As pessoas hoje em dia não estão mais se importando em começar um relacionamento como era antigamente. Não procuram mais conhecer a pessoa, marcar alguns encontros, ir com calma, ir experimentando a relação, e analisando se há chances de dar certo. Acho que isso acontece por medo de demorar tempo demais e o outro colocar a "fila para andar". Hoje você sai para uma boate, um bar, conhece alguém interessante, por lá mesmo já troca uns beijinhos ou até algo mais quente que irá acabar na casa de um dos dois ou em um Motel. Muitas vezes, no outro dia, ou se encontrar o dito cujo uma outra vez, finge nem conhecer, ou cumprimenta friamente.
Eu adoro macarrão instântaneo, mas sei que devido a química que pode ter no tal tempero, pode me fazer mal a longo prazo, como tudo industrializado hoje em dia. Já vivi o relacionamento instântaneo, já provei dos efeitos devastadores.
Porém, hoje, creio que estou entrando numa fase onde será preferível esquentar a água, cozinhar o macarrão, preparar o molho, e comer uma bela macarronada, e se der, ainda guardar para comer mais um pouco mais tarde.
Houveram sortudos (ou habilidosos) que conseguiram fazer do macarrão instântaneo uma bela macarronada. Parabenizo-os por essa façanha.
Creio que o casal descrito por meu amigo do Blog "vizinho" cozinhou o macarrão, passando por todos os processos. Ou será que estou errado? O fato é que hoje eles podem aproveitar desta macarronada e ainda receber elogios públicos, o sonho de toda cozinheira (o)! (Risos)
Estou colocando a água para ferver. Na verdade, está faltando o macarrão ainda. Mas tem nada não. Eu coloco a fervura em "banho-maria"...

Abraços...



6 comentários:

  1. Oi, primeira vez minha aqui. Gostaria de comentar um pouco, mas nem sei se me farei entender... Seguinte, estamos vivendo uma época da imagem, dentro de uma sociedade imagética, onde tudo é superficial, onde o Ter passou a valer bem mais que o Ser, onde as pessoas negam a morte e o envelhecimento, num mundo dominado pela mídia e pela publicidade que dá ordens ao desejo de cada um. Num mundo assim, sobra pouco espaço para a construção de um verdadeiro relacionamento, ou seja para a tal macarronada. Acrescente ao fato de que nada ajuda a dois homens ou duas mulheres a se unirem, a sociedade só aprova o casamento heterossexual e não aceita o que foge da regra. Os/as que conseguem superar tudo isso, são heróis.
    Depois, nenhum relacionamento é perfeito, eu já tive um que durou 9 anos. E morando junto. O que é uma barra. E hoje, quando observo meus amigos , gays ou héterossexuais, que formam casais de longa data, fico me perguntando se gostaria de ter o mesmo ou se é melhor ficar só. Não se pode idealizar um casamento, uma relação e nem idealizar os seres humanos. Muitas vezes a felicidade pode estar justamente em ficar sózinho. Antes de cozinhar a macarronada, é preciso ver se os temperos combinam e se há projetos em comum... ou, instantâneo ou de preparo demorado, pode tudo ficar morno e insonso, no final. Ou seja, nada é garantia, muitos amores podem nascer do sexo e da cama e, se não combinar aí não vão combinar em mais nada, não há receita pronta para o amor e suas possibilidades.
    Enfim, o amor é um evento muito novo na História da Humanidade. Tem menos de 500 anos, o que para o ser humano e sua história é bem pouco. Antes, casava-se para gerar prole ou ganhar dotes, o marido ia pra guerras ou conquistas e a mulher ficava cuidando dos filhos, casamentos arranjados muitas vezes sem nem se conhecerem. Portanto, se para os/as héteros/as é difícil lidar com tudo isso, para os/as homossexuais é pior ainda, pois só depois dos anos 60 e com a Revolução Sexual é que a homossexualidade começou a ser discutida... antes, era doença catalogada e medicada...
    Como vê, não é fácil.
    Gostei da sua escrita!
    Sucesso e carinho,
    Ricardo
    aguieiras2002@yahoo.com.br

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  2. concordo plenamente
    naum preciso acrescentar nada ao que vc disse

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  3. E enquanto o maracarrão não vem, prepare um excelente molho, tenho certeza que será um otima macarronada.

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  4. Se existe a companhia perfeita, o macarrão com massa fresca preparado com toda a paciência que só uma nona italiana tem, eu ainda espero poder provar. Eu sou um daqueles que esperam envelhecer ao lado de um companheiro, alguém que não seja pré-cozido, se eu penso assim, se tenho esse desejo, um dia encontrarei alguém com o mesmo apetite e nos encontraresmo, ou não... enquanto isso vou me fartando de miojos, cup nuddles e afins.

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  5. Como sou compulsivo com comida, vim aqui atrás do macarrão e posso te garantir que você está no caminho certo.
    Beijos,
    Ricardo
    aguieiras2002@yahoo.com.br

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