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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Segunda-feira.


"Saindo mais cedo do trabalho, lembrou-se que era segunda-feira. E os dias no qual o encontrou no caminho de casa, no ônibus, eram também segundas-feiras. Então veio a idéia: porque não esperar por ele, no mesmo horário, no mesmo local, para que pudessem dividir o transporte até em casa mais uma vez e hoje finalmente puxar conversa?
Uma vez que chegaria mais cedo em casa, porque não esperar? Arriscar?
A primeira vez que se viram foi à espera do ônibus, naquele mesmo ponto. Uma troca de olhares, outra troca de olhares...até que o ônibus dele chegou e ele se foi. Em uma outra oportunidade, no mesmo lugar, entrou no ônibus e quando percebeu, ele também entrou. Ué, ele mora no mesmo lugar? Acho que não, apenas este ônibus deve passar perto de onde ele mora.
Sentou-se primeiro e percebeu que o mesmo o encarou quando veio para uma poltrona perto, mas do outro lado do ônibus, e a troca de olhares continuou durante boa parte do percurso. E isso aconteceu algumas vezes, sempre ás segundas-feiras. Apenas os olhares.
Moreno, bem vestido, entre 170 e 175m de altura, cheio de estilo. Corpo normal. Cabelos arrepiados, sem gel.
A última vez que sem viram, apareceu com uma garota e um outro menino que costumava pegar o mesmo ônibus, mas que nunca aconteceu dos três irem no mesmo transporte para casa. A menina que estava entre eles desceu no meio do caminho e ele se sentou no lugar dela, divindo o espaço com o outro garoto. Dessa vez, não sobrou muito olhares para si.
Por isso, naquela segunda-feira resolveu acabar com os olhares e cumprimentar o garoto. Um boa noite, um Oi, qualquer coisa do tipo. Um sorriso...
Aproveitou a saída mais cedo, não foi com tanta pressa para o ponto de ônibus. E esperou. A qualquer momento ele chegaria para esperar o transporte, naquele mesmo horário. E esperou.
Esperou...
O horário chegou, mas ele não. Quando o ônibus apareceu na avenida, achou melhor ir para casa sem vê-lo naquela segunda. Quem sabe em um outro dia da semana..."

Hum, preciso me arriscar mais na escrita, sair um pouco da rotina. rs. Um grande abraço, queridos.


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Dúvida.

Quantas noites mais
lágrimas vão molhar o travesseiro
Enquanto uma oração é elevada a Deus
Pedindo que traga você pra mim?
Você que não sei de onde vem,
Se é pra ficar, ou apenas de passagem
Se vai mudar algo, ou deixar tudo como está?
Quantas vezes mais o café será sozinho
O cinema,
As viagens?
Até quando, apenas testemunha
de um sentimento?
Tudo se encaixa, e uma peça sempre sobra
No quebra-cabeças.


sábado, 9 de janeiro de 2010

Seu

Ao som de The Element Of Freedom, Alicia Keys

Não
Não sou o corpo perfeito onde você procurou se enroscar numa noite fria.
Ou se divertir num dia quente, semelhante a seu corpo.
Não tenho a altura perfeita, nem a boca rosada
Tampouco os músculos fortes e jeito de homem das cavernas que você admira.
Não sou o rosto perfeito, simétrico, que deveria estar estampando as capas das revistas.
Não.
Não faço o gênero machão, e não preciso provar ao seu lado na rua
Que sou um hetero, e fingir que por você não sinto nada.
Eu sou sim: humano, gay, homem, que ama e quer ser amado de volta.
Inteligente, sarcástico, divertido, e com uma vaga a ser preenchida no meu coração
Por aquele que vai me enxergar além das aparências.
Aquele que terá consciência que ainda que eu seja um corpo bonito (ou não)
Este mesmo corpo um dia irá envelhecer. E o que irá fazer? Me deixar?
O que realmente importa pra você?
Chega de contos de fadas. O que tenho a te oferecer hoje
Sou eu, sem máscaras, sem pudor, sem receios.
Apenas eu. Inteiro seu.