Vivemos na era da tecnologia. Momentos podem ser registrados com facilidade via smartphone, camêras digitais, etc, etc.
Porém, há momentos em nossas vidas impossíveis de ser capturados por câmeras ou celulares. E são estes que eu tenho medo de esquecer.
São histórias com os amigos, como a vez em que ajudei uma amiga a fazer uma mudança, no bairro universitário de Feira de Santana, numa carroça. Ainda lembro de seus sorrisos naquele dia. Ou quando fomos apresentar um trabalho na Academia Baiana de Letras, cujo tema do trabalho era O VOCABULÁRIO ERÓTICO EM A CASA DOS BUDAS DITOSOS. Imagine, num lugar cheio de acadêmicos, professores e colegas, levarmos um trabalho para ser apresentado onde falavámos sobre as várias designações para pênis, vagina, seios, ânus que apareciam no livro. Foi memorável!!!
Ou ainda os momentos únicos em família, quando nos almoços de domingo na casa de minha avó alguém solta uma pérola e todos caem na risada, minha avó chorando de rir. Ou aqueles domingos em casa onde minha mãe fazia a unha de meu pai enquanto eu e meu irmão ficávamos vendo TV e rindo com as palhaçadas deles... Ou ainda, o último olhar do meu pai no leito do hospital...
Eu tenho medo de esquecer. De tudo isso e de muito mais. Mesmo sabendo que, invariavelmente, um dia essas coisas serão apenas fragmentos de memória que eu não pude eternizar.